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“O teatro tem capacidade para 200 pessoas”, disse o Caco. “Será que não é muito? Não seria melhor ver um lugar menor para testar?”, respondi. Estava configurado o equilíbrio entre o otimismo empolgado típico dele e o meu excesso de desconfiança de sempre. Lançamos uma pesquisa no site. Os ouvintes corresponderam. Apresentamos a ideia para os patrocinadores. Todos gostaram e deram sinal verde. Conseguimos uma data: primeiro de setembro.

Conseguimos o teatro!

Fechamos a data com um mês de antecedência. A partir daí foi uma intensa contagem regressiva para tudo que teríamos que realizar se quiséssemos proporcionar aos ouvintes a experiência que sempre imaginamos. Temos que colocar os ingressos à venda, visitar o teatro, pensar nos participantes, rascunhar um roteiro, chamar a galera, marcar os ensaios, pedir para o Yago criar as artes, mandar fazer as camisas, comprar a toalha da mesa, realizar os ensaios, definir o roteiro, testar no teatro, comprar cabos, apresentar ideias para a Domino’s, montar tudo e… pronto. Será que vai dar certo?

Uma das coisas mais legais do Minuto de Silêncio é que todo mundo só participa porque quer e porque gosta muito. Quando chamamos a nossa galera para participar, até quem não podia estava a fim. Um dia aparece o André e diz “ninguém vai colocar os efeitos ao vivo não? Deixa comigo que eu faço!”. Outro dia vem Lázaro, Fabiano, e, olha aí, já temos dois fotógrafos. Juny vem com suas câmeras no ombro e também já temos filmagem. Arthur, mesmo não podendo participar, oferece fazer os banners. Vinni Corrêa e Carol Massote (mais conhecida como Wandinha) viram nossos assessores de imprensa e trabalham na divulgação. Fátima, a amiga inseparável da Verinha, de repente não quer mais se separar da gente também. O mestre Paulo Carvalho faz questão de estar presente. Pastor Arnaldo vem lá de Petrópolis para esquentar o público. O tempo corre e a data está cada vez mais perto.

Ingressos esgotados num piscar de olhos. Caco já imagina a galera vibrando como se fosse uma arquibancada do Maracanã. Eu continuo preocupado: “Será que a galera vai rir disso? Será que vai dar tempo da gente preparar tudo?”. Chegam as camisas. Ficaram fodas! Começam os ensaios e todo mundo entra numa pilha incrível. Coitados dos moradores do prédio da mãe da Bianca, que tiveram que aturar a gente gritando, gargalhando e sacaneando uns aos outros. Falta um pouco mais de uma semana.

Primeiro ensaio do pessoal

Minuto de Silêncio no O Globo

Como não havia ingressos sobrando, a nossa lista de convidados foi ficando cada vez mais apertada. Fomos pagar o aluguel do teatro e a diretora nos disse: “Podemos arrumar mais cinquenta lugares”. Colocamos mais quarenta à venda. Quarenta ingressos vendidos. Eu, que sempre luto contra o otimismo, cedi. Porra, vai dar tudo certo! Vai ser foda! Caco, para restabelecer o equilíbrio, fica tenso quando algumas pessoas começam a dizer que não poderão ir mais. Resolve acompanhar de perto, organizar vendas e trocas para garantir que nenhuma cadeira fique vazia. Receio passageiro, já que nossos sensacionais ouvintes não deixaram sobrar nada!

 

Estamos na semana do evento. Enquanto o Caco perde a voz e eu perco o sono, os ouvintes só falam e sonham com o grande dia. Passamos a semana botando pilha na galera, dando entrevista numa rádio, divulgando o evento em outra, pipocando em um site aqui e outro ali, até no O Globo saiu a nossa foto. Samir, da Infinity, já está com a passagem comprada. Andrigo resolveu trazer toda a família. Na reunião com o pessoal da Domino’s, fica decidido que teremos pizza para todas as duzentas e cinquenta pessoas no teatro. Nunca vi nada assim na minha vida. “Imagina a galera na hora em que a gente anunciar isso”, dissemos na volta da reunião.

Esse era o clima da galera no dia da gravação

Chega o grande dia. Correria desde cedo. Não podemos esquecer nada. Equipamentos… confere! Camisas… confere! Cenário… confere! Água pro palco… Manu lembrou, ufa! Teste do áudio… confere! Galera… porra, cadê o Douglas que não chega?! Back in Black está tocando, é a última música! Caco e eu subimos ao palco e nos posicionamos em nossas cadeiras. Por trás da cortina escutamos o Matheus, no dia do seu aniversário, fazer a galera rir da gente. Pastor Arnaldo faz uma sessão de descarrego nos nossos ouvintes fiéis. Toca a música de abertura do Minuto. A galera explode em um barulho ensurdecedor! Chegou a hora! Um aperto de mão e, enquanto abre a cortina, respiro fundo com aquela certeza: deu tudo certo!

 

Início do Minuto de Silêncio Ao Vivo

Missão cumprida!

Sobre o autor

Roberto Rocha

Engenheiro metido a humorista. Humorista metido a roteirista. Roteirista metido a engenheiro. Praticante do esporte mais popular do mundo que é reclamar da vida. Parece irônico quando fala sério e parece sério quando está sendo irônico. Uma figura desagradável. Host do Minuto de Silêncio.

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