Eu sou do tempo em que piada de português era aquela cujo protagonista era um sujeito de nacionalidade portuguesa, normalmente estúpido e que fazia com que sua ingenuidade e burrice provocassem o punch no final, arrancando risadas dos ouvintes. A minha sorte é que também sou do tempo do YouTube, onde podemos sempre garimpar coisas novas e diferentes.

Há 2 anos estive em Portugal e fiquei encantado pelo país e pelas pessoas. Na terrinha, além de conhecer muito da história de lá e de cá, tive meu primeiro contato com o humor d’além mar. E foi através da rádio. Uma vez, peguei um taxi em Lisboa e passei a prestar atenção no programa que estava passando na rádio. Era um programa com um tom humorístico, com algumas falas que me surpreenderam por ter conseguido entendê-las completamente, mas também por ter achado muita graça. Não me lembro de ter ouvido o nome do programa à época. Então, fui embora e ficou por isso mesmo.

Alguns meses depois, graças ao YouTube, procurei sobre humor português e encontrei o fenomenal grupo O Gato Fedorento. O grupo tinha um programa de esquetes na TV portuguesa. Ao assistir seus esquetes, fiquei completamente maluco. Afinal, o que eles faziam por lá não era nada parecido com a mesmice e com o humor preguiçoso de bordões feito na TV daqui (leia-se: Zorra Total e A Praça é Nossa). O fato é que os caras se utilizam de um humor calcado em situações surreais ou com uma realidade exagerada, com críticas ao governo e à sociedade portuguesa, além de abusar na utilização dos diferentes tipos regionais para a composição dos personagens.

Conhecendo melhor o Gato Fedorento, percebi que um deles se destaca: o humorista Ricardo Araújo Pereira. Hoje ele é reconhecido como um dos maiores, senão o maior humorista português de todos os tempos. E não é para menos, pois, além de seu trabalho junto ao Gato Fedorento, ele ainda é comediante standup, autor de colunas de jornal nos setores de política e esportes, além de já ter publicado livros e de ter trabalhado como roteirista e ator em diversos programas de humor na TV portuguesa nos últimos 18 anos. Atualmente está com o fantástico quadro “Mixórdia de Temáticas” nas manhãs da Rádio Comercial, de Lisboa. Coincidentemente, aquele que eu há dois anos estava escutando no banco de trás de um taxi em Lisboa e que, desde que descobri, me tornei um grande fã, já tendo escutado todos os episódios e comprado os dois livros com toda a coletânea das “mixórdias”.

O fato é que o humor português é muito maior e melhor do que a grande maioria de nós pensávamos. Sendo assim, voltaremos a falar dele em outros posts, de modo a tentar compartilhar com você, leitor, um pouco desse impacto que sentimos quando passamos a ter contato com esse humor de nacionalidade portuguesa que, com sua genialidade, nos fez perceber que talvez agora seja a nossa vez de gritar Terra à vista!

Sobre o autor

Roberto Rocha

Engenheiro metido a humorista. Humorista metido a roteirista. Roteirista metido a engenheiro. Praticante do esporte mais popular do mundo que é reclamar da vida. Parece irônico quando fala sério e parece sério quando está sendo irônico. Uma figura desagradável. Host do Minuto de Silêncio.

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