Meu sonho é achar a piada perfeita. Por ela, tenho buscado dia após dia, no twitter, no Sensacionalista, em roteiros pra televisão. Creio que não a achei ainda, senão talvez não estivesse aqui escrevendo sobre ela. O que temo é que não exista piada perfeita, justamente porque piada lida com a imperfeição. Talvez eu, o humorista que busca a piada perfeita seja justamente a piada perfeita.

Há teorias que associam a piada perfeita a uma piada mortal: Monty Phyton fez isso e Alan Moore esbarrou nisso com seus quadrinhos do Coringa. Ambos associam piada à arma, à destruição, à conquista de poder, a matar de rir. Mas se a piada perfeita mata o público já não me serve, pois eu não poderia comprovar a tese de que achei a piada perfeita, pois estaria morto logo em seguida.

Depois de 13 anos estudando o tema, cheguei a cinco conclusões sobre a piada perfeita, elas não esgotam o tema, mas acredito que me aproximam dele:

1 – A piada perfeita precisa ser homofóbica, heterofóbica, transfóbica, racista contra brancos, índios, negros, asiáticos, judeus, ser machista, feminista e todos os outros istas e fóbicos ao mesmo tempo para sacanear a todos e ninguém poder reclamar que foi apenas contra seu grupo.

2 – A piada perfeita pode ser contada a todo tempo, em qualquer lugar, como a piada do pavê, mas jamais se torna cansativa, pois usa a repetição como um processo de humor e se torna mais engraçada a cada nova vez que é contada.

3 – A piada perfeita não depende de quem conta: ela pode ser contada pela pessoa mais engraçada do mundo e pela pessoa mais esquálida que tem exatamente a mesma graça.

4 – A piada perfeita pode ser contada de forma visual e ao mesmo tempo oral para que cegos e surdos possam rir ao mesmo tempo.

5 – A piada perfeita deve ser adaptável para qualquer língua e cultura, fazendo com que ela possa ser disseminada em qualquer nação.

Creio que há pelo menos mais 4.995 tópicos que podem compor a piada perfeita. Nestes 13 anos de estudo cheguei a estes 5 que considero basilares para compô-la e sempre penso na hipótese de que a piada perfeita seja tão perfeita que a medida que descubro a metodologia para desenvolvê-la esteja desenvolvendo a ela própria, sendo assim, no momento em que eu achar os 4.995 tópicos restantes ela estará automaticamente pronta.

 

Sobre o autor

Cacofonias

Carioca do século passado. Pós-doutor em nada. Defensor de uma reforma ortográfica em que escrever errado seje certo. Usuário de piadas pesadas. Roteirista de humor. Pai do Borges, o gato. Host do Minuto de Silêncio.

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