O movimento feminista se forjou conforme os homens permitiram a criação de banheiros femininos em que as mulheres pudessem se organizar e debater livremente sem a presença deles.” (Edgard  Attenborough, historiador)

Qualquer texto que um homem escreva sobre feminismo é um texto machista” (Lívia Peralta, líder feminista)

Para compor este estudo com a devida correção e veracidade, reuni-me com sete líderes feministas, de 27 de setembro a 3 de outubro de 2014, das mais variadas correntes, fossem leitoras assíduas de Simone de Beauvoir e/ou admiradoras de Valeska Popozuda. Como resultado, pude depreender ainda menos do movimento feminista, não sabendo, inclusive, se posso chamá-lo de “movimento” e de “feminista”. Por isto, ao estudo correto e veraz quiçá falte uns dois ou três dedos de correção e veracidade, mas foi ao que cheguei para justificar minha bolsa do CNPq.

Há diversos segmentos no movimento feminista. Após a Segunda Guerra Mundial, com a descoberta de que as mulheres são melhores profissionais do que os homens, a pulverização dos temas feministas passou a criar novas correntes de luta. Estive com Suzana Vasconcelos Peixoto, líder do Movimento Mulheres Fortes (MMF) que crê que a centralidade do debate está no trato das axilas femininas, segundo Suzana “a mulher não deve se depilar, pois precisa ser valorizada em seu estado natural, assim como o homem. Submeter-se a padrões estéticos machistas é ir contra a luta feminista.” Ainda sobre este tema polêmico, estive com Ângela Ribeiro, do movimento Mulheres Sim! (MS!) que contradisse Suzana: “Não é porque somos feministas que temos que perder nossa feminilidade e higiene, queremos respeito, mas queremos nos depilar também. E vou além, os homens também deveriam se depilar, pelos são nojentos.”

Devido à origem marxista de muitas correntes feministas, o debate econômico também ocupa um espaço de destaque no debate, logo atrás das axilas. Segundo, Edna Magalhães, do Grupo Mulheres Livres (GML), é importante que as mulheres abram mão inteiramente do dinheiro dos seus parceiros e não aceitem se submeter ao jugo financeiro. Já Simone Sampaio, do Centro de Estudos Anastácia (CEA), diz que a mulher deve ser reparada pelos danos sofridos ao longo da história e que não só é compreensível, como obrigatório, que os homens paguem todas as suas contas, inclusive a depilação e, principalmente, os restaurantes caros.

Entre outros debates polêmicos que pude ter com grupos feministas estiveram em pauta “deve-se aceitar que o homem abra porta do carro?”, “ficar por baixo durante a relação sexual é submissão?”, “posso cozinhar para um homem ainda que só durante a semana?”, “dar na primeira noite ou nunca dar?”, “posso defender a liberdade do corpo e falar mal da minha amiga baranga?”, “posso ter uma religião ou todas são machistas?”, “Preciso aprender a estacionar para ser feminista?” Diante destas variadas questões, cada um dos sete grupos feministas fez questão de se manifestar e chegamos a sete diferentes respostas para cada uma delas. Elas variam desde “se você quer ser feliz, case-se com uma mulher” até “seja uma mulher antiga, mas moderna por dentro, para que seu homem ache que você é submissa e, assim, ele comprove a própria ignorância”.

A única concordância a que chegaram todos os grupos feministas foi sobre a seguinte questão: “Você acha que os homens são capazes de compreender o movimento feminista?” Todos afirmaram veementemente que não, com declarações do tipo: “homens não entendem de cores de esmalte, vão entender de mulheres?” E esta é a grande tese que este estudo vem comprovar: não há o que nós, homens, possamos entender no movimento feminista, mais vale sentar-se diante da mulher e tentar depreender de que corrente feminista ela faz parte, isto pode ser percebido com uma olhada para os sovacos, pelo uso de maquiagens, pelo vocabulário utilizado ou por outras formas mais sutis que nós homens teremos que pedir ajuda a uma outra mulher para perceber. Obviamente há muito risco de se equivocar, isto, entretanto, o fará apenas ter uma relação turbulenta com o sexo oposto, o que vem acontecendo desde que o mundo é mundo.

Sobre o autor

Cacofonias

Carioca do século passado. Pós-doutor em nada. Defensor de uma reforma ortográfica em que escrever errado seje certo. Usuário de piadas pesadas. Roteirista de humor. Pai do Borges, o gato. Host do Minuto de Silêncio.

Posts relacionados